Hoje cedo mandei um BBM assim pro meu irmão: "A programação é a seguinte: Sairemos daqui as 14:45hs, vamos de carro até o Shopping Sta. Cruz. De lá pegamos o metrô até a estação Bresser, com direito a baldeação na Sé. A última Maria Fumaça sai as 16hs., o passeio dura 25 minutos. Topa ou não topa?"
Muito educadamente, o convite foi recusado e, depois de umas brincadeirinhas sobre o meu programa de índio, ele me solta essa: "Vai pontuar bem no Juruna Card!"
Agora, no aconchego da minha caminha, assistindo um show fantástico do New Order no MultishowHD, só tenho uma coisa a dizer: Se eu não ganhei UM MILHAO DE PONTOS no Juruna Card vou reclamar no PROCON. Me aguardem!
Pois bem, estou sozinha em São Paulo com a Cata, meus pais foram pra Marília e o Júnior está em turnê com a banda -rerere- em Ubatuba, viagem que eu desisti de ir faz pouco tempo. Aí que fui pesquisar uns programas diferentes pra fazer com a Cata que não envolvesse parques ao ar livre, pois está chovendo e nem Shopping, porque não gosto. O mais diferente e interessante que eu achei foi o passeio de Maria Fumaça. Lá no Museu do Imigrante. Parecia ser uma ótima ideia e, ainda por cima, iríamos de metrô, ou seja, seriam dois meios de transporte a serem apresentados no mesmo dia!
Enquanto Catarina dormia eu deveria ter almoçado, mas estava me sentindo estranha, ansiosa, com um aperto no peito, mesma sensação que eu tenho em alguns dias de jogo e, geralmente, nesses dias o Corinthians perde. Sim, sou praticamente a mãe Diná.
Seria um pressentimento para me fazer desistir do passeio? Mas sabe, quando eu ponho uma coisa na cabeça dificilmente alguém consegue me fazer desistir, nem eu mesma consigo...
Depois da siesta da Cata, que eu tive de interromper as 14h30 para seguir meu cronograma, nos arrumamos e partimos pro nosso passeio. Ontem e hoje de manhã eu já tinha comentado que iríamos andar de Maria Fumaça, então, Catarina já acordou falando nela.
Entrei no carro e me assustei com a hora: 15h01. Saco! Estava quinze minutos atrasada, tínhamos que correr, será que dá tempo de chegar lá as quatro? O Shopping fica bem pertinho daqui e, milagrosamente, já no G2 um carro de saída liberou uma vaga ótima, daquelas que entra de frente, nem precisou de manobra, ufa! O Universo está conspirando a favor do nosso passeio, tá vendo! Maaaas...empacamos no elevador. Perdemos o primeiro, pois achei que ele estava subindo (na verdade, aquelas duas barangas do Boticário disseram que estava subindo, mas ele desceu.) e depois os outros passaram direto, demorou uns dez minutos até conseguirmos chegar no metrô.
15h27. Temos pouco mais de meia hora pra chegar! Pensei no seguinte: Na pior das hipóteses, vamos de metrô até a Mooca e voltamos, pelo menos andamos num trenzinho modernoso.
Diferente do que vocês possam estar pensando, pessoas muito solícitas nos cederam seu assento, tanto na ida quanto na volta. O metrô foi bem divertido, na verdade. Catarina foi cantando "O trem maluco, quando sai de Pernambuco, vai fazendo chic chic até chegar no Ceará", foi dando tchauzinho pro trem da linha oposta, fez amizade com os vizinhos de assento e perguntou algumas vezes se aquilo era a Maria Fumaça. Expliquei onde estávamos e que logo chegaríamos na estação do trem propriamente dito.
15h42. Baldeação na Sé. Correu tudo tranquilo, Cata se divertindo, achando legal andar de metrô e tals. Chegamos na estação Bresser/Mooca às 15h55. Resolvi arriscar, afinal de contas, ja tava lá na Mooca, não custava nada dar um rolezinho na garoa, não é mesmo?
Tínhamos cinco minutos. Aceleeeeeeeera Airton!! Saí andando bem rápido, correr era impossível com a Catarina no colo e nossa mochila nas costas, consegui pegar a saída certa da estação, perguntei na banca e me direcionaram pro Museu do Imigrante. Já tinha visto no Goolge que era numa rua sem saída e ficava a 700m do metrô. Oras, 700 metros eu faço em menos de dois minutos (RISOS), e lá fomos nós...
Só que aqueles 700 metros começaram a ficar um pouco longe demais e o caminho começou a ficar esquisito, meio ermo e muito fedido. De repente, depois daquela curvinha, nos deparamos com uma comunidade de mendigos, todos acampados no meio da calçada. Estávamos muito perto pra virar e sair correndo, fiquei com medo deles se sentirem ofendidos, sabe que mendigo se ofende por qualquer coisa, né? Então segui em frente, mantive o passo apertado, desviei dos colchões e galões d`água no chão, fingi que não percebi aquele senhor mijando no muro, prendi a respiração e mantive nossa meta.
Sobrevivemos. Catarina nem tchuns pros moradores de rua, tava mesmo se divertindo com a chuvinha caindo e a gente correndo pela rua. Olha, corri tanto, cansei tanto, que se estivesse calor eu teria desmaiado. Juro. Cheguei toda esbaforida no final da rua e não vi NADA. Tinha só uma portinhola de ferro encostada. Meu Deus, vim parar no LUGAR ERRADO.
Ai gente, sabe, não era justo! Depois de tudo que eu passei...Aí apareceu um mano com jaco da mancha. Pronto, pra piorar a situação, era só o que me faltava, ter que pedir ajuda prum porco!
Mas não tive opção, toda esbaforida gritei de longe: "MOÇO! CADE O TREM??" Eis que me vem o balde de água fria: "Xiii, já foi. Acabou de sair..."
Pois é. Perdemos o último trem. Buááááá. Tudo culpa das barangas do elevador.
Eu devia estar com a cara tão péssima que o palmeirense nos colocou pra dentro da "estação", nos pôs sentadinhas e ofereceu uma água gelada. O suor começou a escorrer na minha testa, eu estava encharcada de suor e Catarina, que até então estava achando tudo muito legal, começou a chorar. Ô tadinha! O passeio foi por água abaixo...
Minha sorte foi que eu tinha um pirulito na mochila. Pirulito é a salvação da lavoura. Melhor que chupeta nos dias de hoje.
Aí um senhor muito do simpático sentou do nosso lado e disse para aguardarmos o trem voltar para que, pelo menos, a Cata pudesse ver a Maria Fumaça em ação. E ali ficamos com aqueles senhores risonhos nos explicando um pouco sobre o funcionamento do trem, Catarina viu vários trens passando por ali (os da CPTM), deu tchau pra todos, ameaçou fugir e correr pro meio do trilho, ou seja, brincamos de pega pega (é tão fácil fazer uma criança se divertir, né?), até que ouvimos o assobio dela, a tão almejada Maria Fumaça estava despontando no horizonte.
Foi bem bonitinha a empolgação da Cata apontando e gritando: "Olha a fumaça, mamãe!!" Uma graça mesmo o trenzinho. Parou bem na nossa frente, demos tchauzinho pro maquinista, que nos respondeu e esse foi o nosso prêmio de consolação.
Só que a chuva apertou e ainda tínhamos que encarar o caminho de volta até o metrô, no meio dos mendigos. Então fiz um certo charme tentando descolar uma carona entre os senhores do recinto, mas acho que eu to meio enferrujada na arte da paquera, pois o máximo que consegui foi a indicação de um caminho mais curto pra chegar em outra estação. Caminho esse que implicava no cruzamento da linha do trem por uma passarela que, acabei por descobrir, era o banheiro daqueles moradores de rua...um horror, posso nem pensar nisso agora, Credo!
Enfim, chegamos mesmo bem mais rápido na estação do metrô (acho que era a Bras) e voltamos sãs e salvas ao shopping. Ainda nos demos ao luxo de tomar um sorvetinho e dar uma caroçada na loja de sapatos, até a Cata experimentou um par e dançou em frente ao espelho, se achando e fazendo a alegria das vendedoras.
E não é que o passeio, apesar de um típico programa de índio, deu certo? Por meios tortos, mas deu. Minha sorte foi que eu estava sozinha, qualquer adulto que estivesse me acompanhando não iria conseguir enxergar a beleza de passeio que tivemos. E teria desistido na parte dos mendigos.
Catarina não queria ir pra casa, queria continuar passeando e, ao chegarmos no carro, me disse espontaneamente: "Eu gostei, mamãe. Foi legal!" Pronto. Ganhei o dia!
To acabada, com bolha na sola do pé, recusei convite pra jantar com meus melhores amigos que não vejo nunca mais, jantei sozinha uma massa ao molho de frutos do mar com cebolas carameladas (a.k.a. miojo com kani e cebola queimadinha sem querer). Mas tô feliz! Assisti Avenida Brasil e depois ainda vi o Show do New Order. Até me permiti fumar um cigarrinho.
Eu vivo pra isso!
P.S.: Acha que esse dia me venceu? Na-na-ni-na-não! Amanhã tem mais! A programação é Cinesesc de manhã e Aquário de tarde. Aguardem notícias.
Que delicia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirCatarina é uma menininha se sorte!!!!!
Mamãe