terça-feira, 10 de abril de 2012

O Pronto Socorro.

Sou filha de médico. E desde 2004 sou mulher e nora de médicos. Mas isso não é nada comparado à minha filha. Catarina tem dois avós e um pai, tudo médico, podem imaginar?

Nunca na minha vida - repleta de doenças e internações - tinha ido ao pronto socorro. A primeira vez em que pisei num, pelo que me lembro, foi em 2008, quando tive uma cólica muito forte e só fui pro hospital porque o Júnior estava de plantão naquele dia e insistiu MUITO pra eu ir. Pra se ter uma noção, saí do trabalho e fui pra casa dos meus pais, cheguei lá meio desmaiando, pois tinha tomado uns 4 Buscopans durante o dia, mas, mesmo assim, eu e meu pai queríamos esperar passar a hora do rush pra sair de casa...O Júnior não se conformou e mandou a gente ir voando pro Einstein. Resultado: uns 4 dias internada, mais uma semana de repouso em casa por conta de um cisto no ovário que havia se rompido.

E sempre foi assim lá em casa, sempre nos automedicamos, meu pai é médico, oras. Ele sabe como tratar da gente. Sempre soube. A infância toda eu tive amigdalite, tomava Cataflam e Amoxil. Até que tive que operar para extrair as amigdalas. Não me lembro de ter ido pro hospital por causa da garganta fechada ou da febre alta. Lembro muito bem de estar no sofá, chorando muito, abraçada à minha mãe, que chorava mais ainda e agarrava meu irmão com o outro braço, todo mundo chorando, pois tínhamos, eu e o Poio, acabado de tomar uma injeção de Benzetacil. Em casa. Meu pai que aplicou (ou o farmacêutico foi em casa aplicar, esse detalhe eu não lembro).

Tem outra história que minha mãe conta, eu pequenininha com febrão há alguns dias que não passava, me levou no consultório do pediatra e ele disse que deveria ser uma virose. Mais alguns dias e nada da febre ceder. Ao invés de me levar no pronto Socorro, sabe onde fomos parar? Em Marília! hahahaha Tá vendo, fui tratar com o pediatra de Marília que fez um Raio X e descobriu que eu estava com pneumonia. Mas não fomos ao Pronto Socorro.

Depois de extrair as amigdalas tudo ficou bem mais calmo. Acabaram-se as crises quase mensais de dores de garganta. Em compensação, vieram outras tantas doenças esquisitas: dois episódios de Pericardite; dois episódios de Pielonefrite; um diagnóstico de Hipoplasia de Medula Óssea e outro de Doença de Crohn. Nenhuma vez fui ao pronto socorro e olha que fui internada muitas e muitas vezes. E estou ótima, diga-se de passagem...Parece que a gravidez me curou, se bem que desconfio desse monte de diagnóstico, mas não tenho capacidade científica para discordar dos médicos e seus exames.

Até que a Catarina nasceu. E passou o primeiro ano de sua vida ilesa à febres e demais doenças. Mas também, depois que teve a primeira, desandou de vez. Agora que começou na escolinha, então! Meu Deus! A cada 15 dias aparece uma febrinha, as vezes mais branda, dura uns dois dias e passa, sem nem desconfiarmos da onde surgiu e outras mais fortes e duradouras com tosses e catarros.

Essa em especial que eu quero relatar, nem foi um febrão daqueles, mas veio acompanhada de muita tosse com catarro. E isso, tosse com catarro, - uma coisa que sempre achei corriqueira, dá e passa, nem precisa de remédio, no máximo um xaropinho expectorante e já tá de bom tamanho, - pro Júnior, que é pneumologista, é uma doença muito importante e que merece todo cuidado do mundo. Quem diria! E pra ele o único remédio eficaz para tosse e catarro é o Predsim (cortisona) que, pelo que eu sei, não é muito bom dar toda vez que a criança tem tosse...mas, até aí, de novo, eu não tenho conhecimento científico para contestar isso (apesar de contestar sempre!).

Numa madrugada, a tosse da Catarina deu uma piorada e o Júnior não conseguiu dormir de preocupação. Eu já estava capotada, mas acordei pra fazer xixi e fui abordada por ele preocupado com a tosse. Discutimos, pois ele disse que na manhã seguinte daria o Predsim e eu contestei. Não fui totalmente contra dar o remédio milagroso, mas disse que antes de começar com o corticóide, ele deveria levar a filha na pediatra pra ver se seria mesmo necessário.  OK, pareceu que ele havia concordado.

Mas os ânimos se alteraram, eu falei um "pouco" alto e acabei acordando a Catarina (eu posso, pois sou eu quem a faz dormir!) quando fui pegá-la no colo senti que estava bem quentinha. Não deu outra: 38,5°C (e o tanto de febre alta que essa criançada tem, minha gente, que horror!)

E a gente lá, tentando dar a Novalgina, disfarçando, coloquei no suco de morango do Cascão, mas ela percebeu, tentei enfiar goela abaixo, mas ela cuspiu. Uma luta muito da cansativa dar remédio pra Catarina, nem a mamãe da Mônica dá conta mais do recado. Meu último triunfo é colocar o remédio no leite e obrigá-la a tomar tudo dizendo que se não tomar todo o leite vai ter que tomar remédio. Vamos ver até quando dá certo.

Todo esse drama na madrugada até que o Júnior teve a "brilhante" idéia de colocar o Oximetro no dedinho dela e constatar que a oxigenação estava baixíssima, 88. Na hora disse que tínhamos que ir pro pronto Socorro. Às duas da manhã. Assim como minha família, eu também sou contra ir ao Pronto Socorro. Quase sugeri irmos pra Marília. E sou completamente contra tirar um bebê da cama no meio da madrugada e levá-lo ao Hospital. Totalmente contra. Poxa, ela está tão grave assim que não pode esperar até as sete da manhã? Vamos dormir, aguardar a Novalgina fazer efeito, esperar 5 horinhas e ver se ela acorda melhor, sabe? Mas, aparentemente, 88 de oxigenação é a beira da morte.

Parênteses: Já tínhamos ido ao Pronto Socorro em outra febre anterior, ocasião em que o Raio X da Catarina, pela análise do Júnior, mostrava um tumor gigantesco no pulmão. Sim, ele ficou com cara de enterro por uns 15 minutos, e eu lá, sabendo que algo horrível estava acontecendo, mas sem saber o que era...Até que o pediatra do plantão veio conversar com ele, numa salinha fechada, longe de mim, pra dizer que estava tudo na mais perfeita ordem. Júnior não sabia ver pulmão de criança no Raio X.

Voltando à nossa discussão da madrugada, vamos ou não ao Pronto Socorro? Mesmo contestando, eu não poderia discordar do médico da casa (apesar dele discordar de todos os conselhos jurídicos que eu dou...mas aí já vira lavação de roupa suja...). E fui reclamando, relembrando do dia em que ele achou um tumor no raio X e que essa oxigenação também não deveria ser nada de grave e continuamos brigando. E fui mandada calar a boca que eu não entendo nada de medicina e muito menos de pulmão. Calei médio.

Chegando no Pronto Socorro, o Júnior, sem conseguir conter seu desespero, já foi logo me deixando mais nervosa dizendo que, provavelmente, iriam internar a Catarina. Aquela oxigenação era muito baixa, ela deve estar com uma pneumonia muito grande, seria internada, provavelmente, mas era pra eu ficar calma! rs

Procedimentos corriqueiros, em resumo: Tirou uma chapa do pulmão (Sim, quem vai ao Hospital de madrugada não faz Raio X, tira chapa do pulmão, podem perceber!) que, segundo o Júnior, deu uma pneumoniazinha (??) Ah vá! E aí, teve que internar? Graças a Deus, não! Saiu de lá com um Antibiótico (primeiro da vida!) e uma inalação prescritos. E o Júnior parou de medir a oxigenação a cada 5 minutos. E ela melhorou com o tempo, pois descobriu-se ser um vírus respiratório. Claro. Aquela virose maneira que está dando em todas as crianças da escola. E não teve que tomar Predsim.

Levamos a Cata na pediatra uns dias depois e hei de confessar: Ela disse que com a oxigenação em 88 o procedimento correto é voar ao Pronto Socorro mesmo. OK. Mas posso dar só mais uma contestadinha? Nenhuma família NORMAL tem oxímetro em casa. Se não fôssemos "família de médico" provavelmente nem teríamos ido ao hospital.

Depois desse drama familiar todo e de ter trocado uma idéia com a minha sogra, decidi que, a partir de agora, toda e qualquer febre e/ou doença da Catarina que dure mais de 48 horas, ao invés do Júnior examiná-la e ligar pra Dra. Lú, eu vou dar um jeito de levá-la ao consultório, pois o Júnior, que sempre pensa no pior diagnóstico possível, não tem condição emocional pra tratar da própria filha.

DIREITO DE RESPOSTA:

Pra quem não leu nos comentários, o Júnior se manifestou, e como esse é um blog democrático, deixo aqui as palavras dele:

Aos leitores:
Parte dos relatos é ficção científica.
Não vou contar a história da forma que ela realmente ocorreu pois pode desestimular futuras leituras dos fãs deste blog.

Jr 



Eu só digo o seguinte: rs.

6 comentários:

  1. Mari, seu jeitinho de escrever é ímpar ! Uma cronista. A gente enxerga a história.
    Meu marido tbem é médico, o convidei a ler. Ele riu várias partes. CERTEZA que se identificou, principalmente na hora do "tumor" rs.
    Bjo, a Catarina tá linda e mto, mto mto esperta:)
    Maria Hilda

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  2. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    Ai Mari, estava lendo e um pouco antes de vc escrever eu já estava aqui pensando..."mas quem tem oxímetro em casa, gente????"
    Manda o Junior relaxar pelamorrr
    tô com você, eu acho que ela teria sobrevivido sem o pronto socorro! Também nunca fui pro pronto socorro na vida (só depois de velha, e por uma boa causa!)
    Beijo honey
    Angel

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  3. Filha
    Minha cronista predileta!!!!!!!!!!!!!!!!
    Me emocionei.......mas pensando bem,acho que não conseguiriamos VIVER,sem a presença constante de Varios médicos à nossa volta
    TE AMO
    Mamãe

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Calei médio. hahahahahahahahaha

    Beijos,
    POIO, que tb não lembra de ter ido ao PS... e lembra muito de ter a cabeça lavada com sabão de coco e tomar alguns "pontos falsos"

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  6. Aos leitores:
    Parte dos relatos é ficção científica.
    Não vou contar a história da forma que ela realmente ocorreu pois pode desestimular futuras leituras dos fãs deste blog.

    Jr

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