quarta-feira, 12 de agosto de 2009

11/08/2009 – Resultado do Cariótipo

Então, alguns fatos que ocorreram desde o último ultrassom, feito no dia 31/07, foram estrategicamente ocultados até agora, pois, num consenso entre o Júnior, seus pais e os meus, resolvemos não contar pra mais ninguém...sei lá eu o motivo!

O que aconteceu foi que naquele ultrassom apareceu um indicativo de que a Catarina poderia ter alguma alteração cromossômica, tipo Síndrome de Down e, por causa desse indicativo, eu tive que fazer uma biópsia da placenta (Cariótipo), colhida no mesmo dia, cujo resultado ficou pronto hoje e, Graças à Deus, está tudo normal, os cromossomos estão todos no lugar certo, sem qualquer perigo de síndrome nenhuma!

Minha reação desde que soubemos desse risco chocou um pouco meus pais, que ficaram desesperados, pois eu me mantive tranqüila, não fiquei nem um pouco triste, não chorei por causa disso e nem nada. Aguardei serenamente o resultado do exame, não deixei de fazer minhas coisas e nem de cuidar de mim. Pode ser que minha reação tenha sido pq eu já pressentia, desde o início, que minha filha seria saudável (toda a falta de pressentimento quanto ao sexo do bebê veio nessa hora me dar a certeza de que a Catarina seria 100% “normal”) ou talvez pq eu não tenha mesmo o mínimo problema em gerar, dar a luz e cuidar de um filho com Síndrome de Down.

Enfim, durante esse tempo eu não deixei de escrever no diário sobre esse assunto, apenas não o publiquei aqui no blog, mas agora, que já está tudo definitivamente bem, resolvi publicar, pra lembrar disso no futuro e, quem sabe, ajudar outras gestantes que se encontram na mesma situação. Portanto, vamos ao flashback:

31/07/2009 – SEXTA – 12 SEMANAS E 1 DIA

No meio do exame o Dr. Mario, que faz o ultrassom, nos alertou para o fato de que havia uma alteraçãozinha na nuca do bebê, chama-se aumento da translucência nucal (TN) que deveria ter, no mínimo, 2,5 mm e a da Catarina está com 3,3 mm. Essa alteração pode ser um sinal de alteração cromossômica, ou seja, pela minha idade e pelo tamanho da TN existe a probabilidade de 1 para 29 de que a Catariama tenha Síndrome de Down ou até mesmo outra doença.

O Júnior ficou atônito, sem chão, no momento em que o médico contou isso pra gente, eu, por incrível que pareça, fiquei bem tranqüila. Naquele momento teríamos que decidir se faríamos um exame mais invasivo para ter 100% de certeza ou se aguardaríamos o resultado de exame de sangue que havia colhido antes do ultrassom, que demoraria 10 dias.

O Dr. Mario ligou pra Dra. Leila e nós falamos com ela. Ela explicou que esse exame nos daria certeza absoluta da saúde do bebê e, a partir desse resultado, poderíamos pensar no seguinte passo, ou seja, se desse positivo para Síndrome de Down ou qualquer outra síndrome pior, poderíamos optar por interromper a gestação. MAS DE JEITO NENHUM, pensei na hora! Vou ter - e amar - esse bebê do jeitinho que ele vier.

Pra ter certeza absoluta do estado de saúde do bebê, optamos (na verdade eu acabei concordando com a opção do Júnior) por fazer esse exame invasivo que, na verdade, é uma biópsia da placenta, chama-se Cariótipo do Vilo Corial. O médico enfiou uma agulha gi-gan-tes-ca na minha barriga que passa raspando pelo bebê e retira uma amostra da placenta para análise. Graças a Deus deu tudo certo nesse exame, tomei anestesia local, então não doeu nadinha de nada, e o resultado sairá no dia 12/08. Ou seja, durante esse período ficaremos na expectativa de saber se a Catarina tem ou não alguma alteração.

Decidimos contar aos nossos pais, para que eles nos ajudassem durante esse período e, o mais importante, para eles torcerem e rezarem para que o exame não acuse nenhuma alteração. Chamei os quatro lá em casa pra ver o ultrassom e, assim, se acalmarem, pois, realmente, não dá pra perceber nenhuma alteração significativa no exame. Aliás, o ultrassom mostra a Catarina perfeitinha, com os bracinhos e as peninhas se mexendo, impossivel pensar que tenha algum problema com ela. Meu pai não apareceu, só foi minha mãe a Sussu, as duas chorando, e o Zé, bem mais tranquilo.

Tomamos um cafezinho e eu expliquei pra eles que não gostaria de entrar num clima de velório. Pra mim não mudou nada nessa gestação, continuo extremamente feliz por estar gerando uma menininha que com certeza será linda, muito amada e paparicada, seja ela normal ou com algum tipo de problema. Realmente não me importa! O Júnior também já ficou mais tranqüilo, aparentemente. Enfim, não adianta nada nos desesperarmos, temos sim é que aguardar esse resultado que, se Deus quiser, vai dar negativo.

Decidimos, aconselhados pela minha mãe e pela Sussu, não contar a mais ninguém até que o resultado saia. Por mim eu já contava pra todo mundo e colocava até no blog, acredito que quanto mais gente torcendo e rezando a nosso favor, melhor. Acho que nessas horas precisamos de toda energia positiva possível. Enfim, por consideração e respeito aos nossos pais, que parecem não se conformar com a idéia de ter um neto com Síndrome de Down, não vamos contar a ninguém.

SÁBADO - 01/08/2009 – 12 SEMANAS e 2 DIAS

Minha mãe parece um pouco mais tranqüila com relação ao suposto problema da Catarina, meu pai deu uma choradinha disfarçado mas não tocou muito no assunto. Na verdade, me senti um pouco desconfortável na presença deles. Eu não tenho esse sentimento de tristeza que eles têm. Pra mim a minha gestação é um momento de felicidade plena e não gostaria que nada acabasse com isso, mas meus pais não estão na mesma sintonia. Disse isso à eles e fui pra casa. Amanhã eu volto pra almoçar aqui, espero que eles consigam lidar com isso melhor, até porque, antes de sofrer desse jeito, seria melhor esperar o resultado definitivo do exame.

DOMINGO – 02/08/2009 – 12 SEMANAS e 3 DIAS

O almoço desse domingo na casa dos meus pais seria mais uma tentativa de convencê-los a ficarem novamente felizes com minha gravidez ao invés de chorar pelos cantos.
Chegamos lá e só tava minha mãe, meu pai tinha ido jogar tênis. Estava tudo muito mais tranqüilo, começamos a comer sem ele, que chegou no meio do nosso almoço. Aí acabou o clima de tranqüilidade. Meu pai está de-ses-pe-ra-do com a possibilidade de ter uma neta com Síndrome de Down, chora compulsivamente toda vez que tocamos no assunto. Mostrei o ultrassom pra ele que, mesmo assim, não se acalmou.

Tentei explicar que esse clima de enterro não tem nada a ver com a gestação de uma criança. Será que é muito difícil de entender que é uma vida que está chegando? E que isso é uma bênção de Deus? É óbvio que eu quero ter uma filha teoricamenre "normal", sem qualquer doença ou anomalia, mas, pra mim, não importa que a Catarina tenha Síndrome de Down, ela será muito bem vinda às nossas vidas e com muita alegria e muito amor! Essa gravidez nunca vai deixar de ser motivo de alegria pra se tornar um transtorno na minha vida. Muito pelo contrário, a cada dia eu sou mais feliz!

Meu pai, pelo jeito, não pensa dessa forma, ele acha triste e essa tristeza dele acabou meio que me contagiando, não que eu tenha ficado triste por causa da Cata, mas sim por causa dele, que não consegue ver felicidade na minha gestação.


SEGUNDA - 03/08/2009 – 12 SEMANAS e 4 DIAS

Comecei minha rotina no escritório de ligar o computador, checar as publicações do dia, abrir os e-mails e vi um e-mail ótimo enviado pelo Júnior com o link de um fórum sobre tranlucência nucal aumentada. Vários depoimentos de pessoas que passaram pelo que estamos passando nesse momento. A angústia da espera do resultado de um exame que nos informará se nossa filha tem ou não alguma anomalia. Todos os depoimentos são super favoráveis, em todos os casos, menos em um, o bebê nasceu saudável e sem nenhuma alteração. Li tudo e isso me tranqüilizou mais ainda, me deu mais esperança de que a Catarina será uma criança linda e saudável.

Na verdade, desde que o Dr. Mário nos falou sobre a possibilidade - de 1 para 29 – da nossa filha ter Síndrome de Down eu reagi com a maior tranqüilidade do mundo. Não sei se é porque estou pressentido que não há qualquer problema com o bebê ou se realmente sou forte o suficiente para ser mãe de uma criança especial e que demandará um cuidado maior que as crianças normais.

A minha maior preocupação, na verdade, veio depois, por causa do Júnior que ficou pesquisando a TN alterada na Internet e me aterrorizou dizendo que, se o exame der positivo, a probabilidade de eu ter um aborto é enorme e, mesmo que o bebê consiga nascer, com certeza, terá problemas cardíacos e passará por operações logo que nascer. Ou seja, além de eu me preocupar com o resultado do exame, que já é muita coisa, agora também tenho que me preocupar com as conseqüências de um resultado positivo. Preferiria não saber disso agora, mas já foi.

O Júnior também está bastante confiante de que o resultado será negativo e, com os depoimentos desse fórum que ele me mandou, temos agora praticamente certeza de que não passará de um susto.

Minha mãe mandou um e-mail se desculpando pela reação dela, respondi que não tenho que desculpar nada, que cada um reage do jeito que tem que reagir, mas que o clima lá de casa, de velório, está me fazendo mal e é por isso que eu disse que teria que me afastar um tempo, pra que a reação deles não influencie na minha felicidade.

Disse, ainda, que eles terão de achar uma maneira de lidar com essa situação sem desespero, angústia e tristeza, pois, se o resultado do exame for positivo (Deus queira que não seja!) eu ainda terei seis meses de gestação e realmente não estou a fim de passar todo esse tempo lamentando, mas sim exaltando a vinda de um bebê na família. Vou curtir fazer o enxoval, decorar o quartinho e tudo mais de legal que tem numa gravidez. Gostaria muito que meus pais pudessem compartilhar dessa alegria comigo.

SEGUNDA – 10/08/2009 – 13 SEMANAS E 4 DIAS

Hoje saiu o resultado do rastreamento bioquímico, exame de sangue que fiz junto com o ultrassom que deu a alteração na translucência nucal do bebê. Por esse exame a propabilidade da Cata ter Síndrome de Down, que até então era de 1 para 29, caiu de 1 para 285, o que achamos – eu e Juca – ser um ótimo resultado. Anunciamos aos nossos pais e ficou todo mundo mais aliviado.

Mas, falei com a Dra. Leila por telefone e ela disse que é pra esperar o resultado do Cariótipo (biopsia da placenta), pra ter certeza absoluta, esse resultado sai quarta-feira, dia 12. Aguardemos com fé. Depois daquele fórum que o Júnior achou, onde tem um monte de depoimentos de pais passando por esta mesma situação, fiquei com certeza absoluta de que a Catarina não tem nada de anormal.

O link pro fórum é esse aqui:

http://www.dle.com.br/forum/ShowMessage.asp?ID=2826

Aliás, vou até copiar aqui o depoimento de um pai que sintetizou exatamente o que eu estou sentindo agora, o nome dele é Rodrigo, olha só que bonito:

“Boa noite, pessoal! Resolvi escrever neste fórum porque ele foi um grande apoio para mim e para minha esposa quando fizemos o exame da TN em 21/05/09 e a medida deu alterada: 3,5mm. Havia osso nasal e o ducto venoso estava normal. Minha esposa tem 30 anos. O médico nos disse que havia a possibilidade de 1 em 08 de haver alguma cromossomopatia. Foi um susto. Resolvi estudar a fundo a questão para me inteirar. Os médicos não explicam direito esse exame. Apenas dizem que deu alterado e orientam os pais a fazerem a biópsia do vilo corial. Ao passo em que estudava para verificar com o que estávamos nos deparando, comecei a pesquisar também tudo acerca da síndrome de down, haja vista a possibilidade. Não sou médico, mas por tudo que pesquisei vi o seguinte, e resolvi compatilhar isso para os pais que estão aflitos, como nós ficamos: a medida da TN, de maneira isolada, não quer dizer muita coisa! Não quer mesmo. É preciso que se faça a análise em conjunto de quatro marcadores: 1) A medida da TN; 2) A presença de osso nasal; 3) Ducto venoso alterado; 4) Idade da Mulher (De 35 anos para cima o risco é bem maior). Se a medida da TN deu alterada de maneira isolada, o risco de alteração cromossômica é pequeno. Se aliada à ausência de osso nasal, a chance já é bem maior. Aliada a medida alterada da TN à alteração no ducto venoso, há grande chance de cromossomopatia ou cardiopatia. A medida da TN alterada com a idade da mulher (35 anos ou mais) também aumenta consideravelmente o risco. O somatório de três ou quatro marcadores indica uma imensa probabilidade. Mas como eu disse, isso não é regra, matemática. É probabilidade. E mais, não sou médico, sou apenas um leigo que passou uma semana pesquisando o tema intensamente e chegou a essas conclusões. Como disse, apenas a TN de nossa bebê deu alterada e o cariótipo apresentou resultado normal. Agora, gostaria de dizer outra coisa. Vi que muitas pessoas aqui viam como um pesadelo o fato de um bebê com down. Aprendi nesses dias que, se viesse assim, seria difícil, é claro, pois vivemos em uma sociedade preconceituosa, em que cada vez mais se valoriza o bom, o vitorioso, etc, mas seria muito amado. Os pais que têm filhos especiais sabem muito bem o valor que eles têm. Gostaria de parabenizá-los aqui. Certamente vocês também são especiais! Espero que nossa filha possa conviver em um mundo, quem sabe, menos preconceituoso, com todos convivendo de maneira harmoniosa, feliz, e sabendo aceitar, respeitar, e compreender as diferenças de todos! Desculpem pelo texto tão extenso. É que nos dias difíceis este fórum me foi extremamente útil e confortante. Aprendi e amadureci bastante. Fé em Deus para todos que aqui estão angustiados, e podem ter certeza de que, independentemente do que vier, Ele está conosco e sabe o que faz! Um abraço.”

É exatamente isso que eu acho! Óbvio que estamos torcendo pra que essa alteração da TN não seja nada demais, como aconteceu com o bebê do Rodrigo, mas, se a Catarina tiver alguma anomalia ela será muito bem vinda e amada do mesmo jeito. Vai dar mais trabalho? Claro! Mas qual filho não dá trabalho? Se estamos dispostos a colocar uma criança no mundo, temos que ter a responsabilidade de cuidar a vida inteira. Por causa desse meu sentimento, consegui passar esses últimos 10 dias bastante tranqüila, cuidando de mim e, consequentemente, da Catarina também.

11/08/2009 - TERÇA - 13 SEMANAS E 5 DIAS

O mais importante acontecimento do dia foi a ligação que eu recebi da Dra. Leila, exatamente às 17 horas e 41 minutos, informando que estava tudo 100% normal com nosso bebezinho. O Cariótipo ficou pronto e a Catarina é super saudável, 46, XX, ou seja, confirmadíssimo que é menina e que não tem nenhum tipo de anomalia. Graças à Deus e à nossa fé! Na mesma hora liguei pro Júnior, pros meus pais e pros pais dele e agora já estão todos bem calminhos.

Minha mãe quase morreu de tanto chorar de alívio e alegria quando dei a notícia e foi lá em casa à noite me dar um beijo. Enfim, tudo voltou ao normal para nossas famílias, estão todos calmos e curtindo novamente a gravidez. Que venha a Catarina com muita saúde!

ATUALIZAÇÃO: Quase dois anos depois disso tudo que nós passamos, descobri que esse post ajudou, pelo menos, mais duas mães que passaram pelo mesmo problema. Vejam os comentários desse meu post se não são a coisa mais emocionante do mundo!!

2 comentários:

  1. Mari,

    Adorei o seu diário ! Parece que estou te vendo contando essas coisas todas. Acho que nem vamos ter assunto no nosso almocinho..hehe
    Catarina vai curtir muito ler tudo isso um dia.Fico feliz em saber que ela está bem!
    Muitos beijos
    Pat

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  2. LED flowering grow lights will produce light in the right frequency and
    wavelength. Consumers "going green" have already begun switching out their incandescent bulbs for compact fluorescents, which are miniature full-sized fluorescents.
    Where By By turf carp communities are perhaps taken all the way through selling such as a biocontrol needed for noxious pernicious
    weeds, they should be taken back within the water in and additionally unscathed.


    Here is my web-site :: LED Deckenleuchten

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