Eu e Catarina passamos o dia na casa dos meus pais e foi um dia bem divertido. O Sol estava quente, o céu bem limpo, delícia pra passear. À tarde fomos brincar na Praça Pereira Coutinho, conhecemos vários amiguinhos novos e a Cata se esbaldou na areia. À noitinha fomos embora e meu pai desceu conosco pra ajudar a colocar tudo no carro.
(Quando eu saio com a Catarina, principalmente se vamos passar o dia fora de casa, tenho que levar duas malas, uma grande com roupas, fraldas e afins e outra menor, com as comidinhas, leite e mamadeiras. Então, o carregamento é o seguinte: Uma mala grande, uma pequena, um carrinho de bebê, uma sacolinha de brinquedos, minha bolsa e a Catarina. Nesse dia em especial eu ainda tinha uma sacola tamanho família com dois travesseiros novos que havia comprado de manhã).
Por isso meu pai teve que descer pra me ajudar. O carro estava no estacionamento de visitantes do prédio, que fica na rua. Fiz a rotina de sempre: bolsas no banco da frente, inclusive a sacolona tamanho família, carrinho no porta-malas e Catarina na cadeirinha atrás. Nesse meio tempo fiz uma coisa que faço com frequência: deixei a chave do carro no banco do motorista e a porta aberta, instalei a Cata em seu assento e saí do carro pela porta de trás e meu pai entrou pra dar tchau para sua netinha. No que ele saiu, fechou a porta traseira e, logo em seguida, vi que a porta do motorista também estava fechada (fechou sozinha) E TRANCADA!
Resumindo: Eu tive a PROEZA de trancar minha filha de um ano dentro do carro com as chaves dentro num calor de 30 graus! QUE DESESPERO!
Na hora que eu percebi a CAGADA gritei pro meu pai chamar um chaveiro, ele saiu correndo rumo a portaria do prédio. Eu saí na direção oposta, em busca da ajuda dos manobristas de um estacionamento vizinho. Entrei correndo e não tinha ninguém, fui encontrar o dono/gerente lá no fundo vendo TV. Falei o mais rápido que eu pude que precisava de ajuda pra arrombar meu carro, pois tinha trancado minha filha dentro. O cara levantou imediatamente, tinha mais de 2 metros de altura - e de largura também. Ele era enorme! Foi correndo comigo até o carro e, no trajeto, parou no restaurante ali ao lado e chamou um motoboy que pegou uma ferramenta em sua moto (acho que era uma chave de fenda, nada muito agressivo). Eles enfiaram essa ferramenta entre o vidro e a porta, na tentativa de abrir o carro, e nada...No mesmo instante eu mandei quebrar o vidro.
Os dois, assustados, olharam pra mim: Tem certeza? Pode quebrar mesmo? ÓBVIO, TIRA MINHA FILHA DAÍ!! Gritei pro meu pai lá na portaria que estava tentando o chaveiro que iria quebrar o vidro, não dava mais pra esperar. Nisso, os meus dois ajudantes foram em busca de alguma coisa pra quebrar o vidro, pois o grandão já tinha tentado no chute e no soco e nada...(Imagina o susto terrível que a Catarina passou dentro do carro com essas tentativas barulhentas e infrutíferas!)
MEU DEUS, QUE SITUAÇÃO HORRÍVEL!!!
Nesse meio tempo chegou um menino numa caminhonete que queria estacionar ao lado do carro. Não deixei, então ele desceu do carro e ficou lá tentando ajudar também, meio sem saber o que fazer. Aí, me volta o motoboy com um BANCO DE FERRO, a única coisa pesada que ele achou, o grandão teve que voltar pro estacionamento, pois tinha chegado cliente, meu pai voltou da portaria dizendo que o chaveiro iria demorar meia hora. NEM PENSAR. ESTOURA ESSE VIDRO AGORA!!!
E foi exatamente isso que ele fez, MEU PAI, MEU HERÓI, detonou o vidro (e um pouco da porta também) com um banco de ferro, destravou o carro e eu tirei a Cata lá de dentro, toda suadinha, chorando pencas, berrando de desespero, tadica. Nessa hora eu desabei e comecei a chorar também, pedindo desculpas pra minha filhinha e tentando acalmá-la e o menino da caminhonete, por sua vez, tentando acalmar a gente, falando que tinha sido só um susto... Ai meu Deus que tragédia!
Enfim, tudo terminou bem, tudo isso não durou nem dez minutos e parece que a Catarina não ficou traumatizada , pois no dia seguinte andou na cadeirinha numa boa. Mas logo depois do ocorrido, ela não quis de jeito nenhum sentar ali, a levei de volta pra casa no colo, minha mãe foi dirigindo meu carro sem o vidro do motorista, cacos por toda parte, dentro de todas as bolsas e sacolas, menos na cadeirinha da Cata. Anjinho da Guarda nesses momentos trabalha dobrado!
Fora que isso estava pra acontecer há tempos, pois eu SEMPRE deixo a chave do carro no banco do motorista, pra não machucar a Catarina enquanto a pego no colo. Deixo a porta aberta, também, mas nesse dia ela fechou sozinha, pois o carro estava estacionado numa rampa.
Agora, só não consigo entender como o carro tranca sem estar com a chave no contato! Bom, quero vender logo esse carro indisciplinado que não me obedece e prende meu bebê. Não gosto mais dele.
Essa foi oficialmente a pior semana do ano, so far. Pelamordedeus, dá um tempo aí pra mim!! Isso porque eu nem contei da minha saga atrás de taxi pela zona leste, pra conseguir chegar ao (e voltar do) Fórum da Vila Prudente; do toco que levei hoje da Juíza mais grossa e estúpida do universo e do vírus que está corroendo minha garganta e fazendo meus olhos e meu nariz coçarem...
Boa semana aí pra vocês!!
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