quarta-feira, 23 de março de 2011

Ela chegou, a CULPA, essa fanfarrona.

Pois é, agora sim a culpa da mãe que trabalha o dia todo tomou conta do meu ser cá estou sofrendo, angustiada, com dor no coração e a garganta embargada...BUÁÁÁÁÁÁ.

Desculpem pela introdução CAFONA, mas é exatamente assim que eu me sinto, brega, piegas, clichê no último grau.

Quando eu voltei a trabalhar a Catarina não tinha nem completado os quatro meses, mas voltei aos poucos, meio período, das 11 às 16 horas, dava pra aproveitar a manhã toda e o final da tarde. Sofri no início, claro, mas depois acostumei e hoje até acho bom, no escritório posso me dar ao luxo de pensar em outras coisas além de assuntos de bebês. Aos poucos também fui aumentando minha carga horária e correu tudo naturalmente.

Claro que de vez em sempre bate aquela culpinha, me pergunto se estou fazendo a coisa certa, afinal, durante a semana, passo pouco mais de duas horas com minha filha. Um pouquinho pela manhã, quando dou leite e brinco uns minutinhos e à noite chego logo depois do jantar, brinco por uma hora, dou banho, leite e faço dormir. Nos finais de semana eu grudo! A Catarina sempre ficou muito bem com a babá, minha mãe vem quase todos os dias em casa, pela manhã, e minha sogra também passa por aqui de vez em quando, à tarde.

Nunca tive nenhum problema mais grave com a Cata. Ela é tão boazinha, mas tãããão boazinha que no início eu nem comentava muito com as pessoas pra não “azedar”, mas confesso que nunca passei uma noite em claro. Óbvio que nos primeiros meses ela acordava de 3 em 3 horas, pontualmente, pra mamar. Mas dormia logo em seguida.

Desde o 4º/5º mês que ela dorme a noite inteira. Tivemos umas poucas noites em que ela acordou e não dormiu, mas essa “insônia” durava 4 horas, no máximo. Ou seja, não passei por aquele tão temido perrengue da falta de sono.

As transições de alimentação também foram super tranqüilas, o desmame foi extremamente natural, o único empecilho foi a demora pra pegar a mamadeira de leite em pó, o que durou um mês, mas depois foi que foi. Passou pela papinha numa boa e hoje ela já come de um tudo!

Mas agora começou a fase da birra e, apesar da Cata ser uma criança MUITO amigável, que sorri pra todo mundo e conquista quem passa na rua, a própria miss simpatia, ela também tem o lado birrenta. E sabe chorar alto, de lágrima e berrar excessivamente quando é contrariada.

E eu não queria uma filha birrenta, chata, que dá escândalo em público. Porém, pelo que pesquisei até aqui, essa filha que eu almejo não existe. TODA criança tem seu dia de chatonilda...

Então, eu cismei que deveria, ao menos, aprender a lidar com essas birras e tentar evitá-las ao máximo. Fui atrás da “Encantadora de Bebês” (Tracy Hogg) que tanto me ajudou a cuidar da Cata nos primeiros meses e à quem eu credito o milagre dela dormir a noite toda desde cedo. Sim, para vocês que a conhecem, desde o primeiro mês eu aplico o método do E.A.S.Y. (eat, activity, sleep, you), o que foi bem fácil pra mim, já que se trata de uma rotina estruturada e, não sei se sabem, mas eu adoro uma estrutura ;) Curto muito uma organização, uma boa tabela e a fixação de horários/atividades é comigo mesmo. Assim, eu e a Tracy nos tornamos boas amigas. Eu aqui, na minha cama e ela ali, no livro azul.

Pois bem, fui ao submarino e comprei o outro livro dela, o cor-de-rosa, onde a capa diz que a ENCANTADORA DE BEBÊS RESOLVE TODOS OS SEUS PROBLEMAS. E lá fui eu pro capítulo do “comportamento”, li e reli e vi que na maioria das vezes eu já estou agindo como ela recomenda, tem umas dicas boas de como acalmar a criança na hora da birra e, principalmente, sobre como evitar que o escândalo se inicie.

Ocorre que, uma das coisas que me pegou de jeito foi a seguinte: O bebê tem que confiar na mãe. E um dos motivos da perda de confiança é exatamente a hora de sair pro trabalho. O certo é você dar tchau e a criança te acompanhar até a porta. O que eu vinha fazendo até antes de ontem era dar um tchauzinho tímido e sair de fininho enquanto a babá entretinha ela com outra coisa.

Resolvi, então, mudar a tática. Eu que não quero minha filha perdendo a confiança em mim!

E aí que começa minha decepção. Ontem até que foi mais tranqüilo, depois de brincarmos um pouquinho, disse à Catarina que eu precisava sair pra trabalhar, ela já começou a me agarrar e fazer manha, fingir um chorinho besta, não queria de jeito nenhum ir brincar com a Jú, mas depois de uns minutinhos, ela distraiu, eu dei tchau e ela nem tchuns.

Por outro lado, hoje, foi O ESCÂNDALO da década. Parecia que ela tava apanhando de cinta. Chorou mais do que quando toma vacina. Show de horror. Meu coração apertado e eu dando tchau na porta de casa e ela esperneando no colo da babá e o Júnior lá, sem saber o que fazer. Fui embora e deixei minha filha chorando. Pela primeira vez na vida fui ouvindo os berros dela no elevador.

Nunca poderia imaginar sentir uma tristeza e uma impotência tão grande em toda minha vida. Juro. Também abri o berreiro e fui chorando pro escritório. E se tem uma hora que eu não posso chorar é no caminho do trabalho, pois é exatamente nesse momento, em pleno trânsito, que eu faço a maquiagem, tudo pra passar mais tempo com a Cata.

Pois é, minha gente, a tal da CULPA finalmente chegou. Que péssima hora, hein, dona Culpa! Sua fanfarrona, filha duma puta!!!

Saí da garagem e liguei pro Júnior, disse que tinha colocado um DVD e que ela estava mais calminha. Ao longo do dia fui ligando pra babá, passou o dia meio borocoxô, meio sentida, nada demais, desceu pra brincar de manhã, à tarde já estava melhorzinha, mas decidi voltar mais cedo pra casa, até porque a Jú não estava muito firme no que me dizia.

Cheguei e realmente estava tudo bem. Ela não estava radiante, mas é normal, tem um monte de dente querendo nascer e de vez em quando ela fica meio chatinha mesmo. Ficamos brincando até a hora do jantar e aí sim, levei uma FACADA NO PEITO. Fui pegar a minha filha do colo da babá e ela não quis vir comigo. Se agarrou na roupa da Jú igualzinho ela faz quando não quer sair do MEU colo.

Tive que arrancá-la da Jú e levá-la pro quarto e ela berrando sem parar. Demorou alguns minutos pra eu conseguir acamá-la. Foi terrível, pior do que pela manhã, pois agora ela tava chorando pra SAIR do meu colo.

Nossa, que dia péssimo! Pior dia do ano. E olha que ontem eu passei a tarde na Vila Prudente...

Enfim, ela se acalmou, voltamos pra cozinha, dei o jantar, depois a sobremesa, tudo numa boa, parece que ela esqueceu do trágico episódio. Brincamos mais um pouco, dei o banho, assistimos Peixonauta deitadinhas aqui na minha cama, por último dei a mamadeira e ela dormiu.

Mas eu estou péssima. Estou arquitetando um plano mirabolante pra mandar minha babá embora. Que ódio que eu fiquei dela! Agora entendo exatamente o que o Júnior sentiu quando passou por isso.

E não sei mais o que fazer. Volto a sair de fininho e corro o risco da minha filha perder a confiança em mim ou tento mais alguns dias o método da encantadora? Alguém aí sabe se essa história de perder a confiança é verdade mesmo? Será que eu agüento passar de novo por tudo isso? Sair de casa com aquela choradeira toda, deixar minha filha aos berros. Será que a Catarina preferiu a babá justamente por eu ter saído de casa e deixado ela esperneando daquele jeito? HALP!!!


ATUALIZAÇÃO: Esse post deu o que falar!! Vários comentários e muitas dicas! Obrigada à todos! Hoje já é sexta, e esses dois últimos dias a despedida pro trabalho foi MUITO mais tranquila, teve um chorinho de manha, mas nada que não pudesse ser contornado. Estou bem mais aliviada e certa das minhas atitudes.
Seguem abaixo os comentários que fizeram no Facebook, pois parece que é difícil comentar aqui no próprio blog. Se não me engano, quem não tem conta no google (outro blog ou gmail) deve comentar como "ANÔNIMO" e, claro, assinar no final do comentário.


Marinella Afonso: Mari, adorei o texto (não o seu sofrimento), mas vc esqueceu de mencionar sua adoração por listas.....das quais, aliás, sou total solidária. eheheh. Tbém sou solidária, por conhecimento de causa, de como é ruim passar uma tarde na Vl Prudente!


Marinella Afonso: ahahahahaha...............pronto!!! agora sim postei o comentário no blog.


Bi Mesquita Azank: Ai Ma, que triste seu texto...fiquei emocionada...ainda nem tenho como te dar dicas, mas acho que faz sentido sim esta questao da confiança...eu insistiria em dar tchau e explicar que vc VOLTARÁ. É triste pra ela, mas pelo menos vai entender que vc nao mente e se diz que volta volta mesmo...sei la....boa sorte....bjs


Dalton Iwazaki: sensacional.. culpa, essa $#@%$#%@#


Mariana Figueiredo Paduan: Hoje a despedida já foi bem mais tranquila :)


Maria Hilda Arvatti: Mari, acho que foi pura coincidência, ela não querer ir no seu colo, acho um fato isolado do outro, a gente que fica com a culpa (vai nos acompanhar sempre:(:( e vc ficou ansiosa e quis "recompensar". Linda, continue olhando nos olhos, se despedindo e falando que "daqui a pouco" volta, e ela vai entender! Vc é uma excelente mãe, da um "banho' em várias mães com mais filhos, e o espaço na vida e no coração da pequena é seu e ninguém "tasca".rs


Tathiana Prada: Mari, li e me emocionei.... bjocas


Elaine Hojaij: Tentei postar um comentário no seu blog, mas não sei se deu certo...Me fala, senão escrevo tudo de novo...


Elaine Hojaij: Mari, só te digo que NÃO, a culpa não é sua...Pelo menos ainda não...Sabe que somos nós que ajudamos a criar as birras, né?! me avisa sobre o post no blog


Vanessa Grassi: Darling, vc acabou de descobrir que, junto com a maternidade, vc ganha inteiramente grátis, a maior culpa do mundo. Vc terá váaaarios episódios de culpa ao longo de toda sua vida, por inúmeros motivos, esse foi só o primeiro. Não estou dizendo isso pra te desanimar, mas sim pra vc saber q é normal e ninguém passa sem isso! bjos!


Ana Maria Figueiredo Paduan: Tentei postar no blog mas não sei fazer....


Ana Maria Figueiredo Paduan: Filha:A culpa existe mesmo,sofri muito tbem.A qualidade de sua convivência com a Catarina vai suprir sua ausência.Você é a melhor mãe que alguem poderia desejar!!!!!!!!!!!!É tambem uma profissional da melhor qualidade.Sabe o que seus filhos sentirão em relação à você:ORGULHO!!!!!O mesmo que os meus sentem por mim.te amo,continue contando comigo.Beijos!!!!!Mamãe


Fernanda Gait: Não chorei com o post, pq passei por isso...agora com o que a tia Ana escreveu eu estou me debulhando!! Mari, estes micro seres dominam nosso coração. A maternidade traz culpa e insegurança, mas também traz o amor mais pleno. Bem vinda ao grupo das mães modernas...Tia Ana você é o MÁXIMO. bjs


Alessandra Maques Corrêa Afonso: Mari, acho que todas nós mães passamos por isso, pela culpa do trabalho, pela insegurança de como agir diante de certas situações...o que posso dizer é que a confiança é sim muito importante...acho que vc pode ser discreta ao sair, mas sempre em algum momento deve dizer que vai trabalhar, mas volta. A Laura chorou muitas vezes, mas hoje já lida melhor com a situação. Apesar de voltar a reclamar após feriados prolongados, férias...mas logo se adapta de novo. Quanto a não querer o seu colo....crianças são muito mais espertas do que imaginamos...procure tomar a decisão e passar segurança a ela, vai ajudá-la a se sentir segura tbém!Bom, essa foi só a minha experiência! Boa sorte!!


Ana Maria Figueiredo Paduan Tambem chorei!!!!!!!!!!!!!Beijo Fê

Elaine Hojaij:  Mari, que bom que hoje foi melhor!


Tinha escrito no seu blog que criança é assim mesmo...Elas vão nos testando. Quando for sair, avise: " a mamãe vai sair para trabalhar e no final do dia ( ou o horário que for) eu volto". Nunca saia de fininho; a criança pode perder a confiança em você, achar que pode ser enganada a qualquer tempo. Também nunca faça chantagens, do tipo: " a mamãe vai sair mas vai te trazer tal coisa..." Fale que vai sair, transmitindo segurança. Se ela perceber que você está de coração apertado, vai deitar e rolar... Aí, quando você voltar, reserve os primeiros momentos para estar com ela. Ela vai aprender que você sai , mas quando volta, é muito bom! Sabe que quando o Gabriel era pequeno, ele ficava na creche do HC...No primeiro dia, ele não chorou ( é raro ele chorar), mas na hora que fui buscá-lo, ele não olhava na minha cara de jeito nenhum; virava o rosto mesmo! Claro, que fiquei chateada, mas logo ele se acostumou.


É menina, vivendo e aprendendo com estes pequenos...Mas temos que estar sempre atentas, porque eles fazem de tudo para nos controlar! Aprendem num instante a fazer chantagem emocional!


Beijos nas duas!!!

3 comentários:

  1. Mari, adorei o texto (não o seu sofrimento), mas vc esqueceu de mencionar sua adoração por listas.....das quais, aliás, sou total solidária. eheheh. Tbém sou solidária, por conhecimento de causa, de como é ruim passar uma tarde na Vl Prudente! Ah, em relação as suas dúvidas, não posso ajudar, pque como vc bem sabe, nasci para ser tia!!! bj

    ResponderExcluir
  2. Mari, eu tenho lido e embora a Carmen ainda nao tenha chegado na idade da birra entendo o seu drama.
    As minhas pesquisas indicam o seguinte: voce avisa pra criança que vai voltar no fim do dia, e depois de algum tempo a criança começa a criar a espectativa que voce vai vir mesmo. Mas para isso acontecer é preciso a repetiçao, voce sai e volta (como disse que ia voltar), sai e volta, etc. Ate que a criança ve que sua palavra vale.
    Eu acho que voce nao deve sair de fininho nao. Se voce nao deixar esse assunto as claras voce pode ate evitar as lagrimas, mas vai estar privando sua filha de um aprendizado. Ela deve estar tendo dificuldades em lidar com mais esse passo rumo a independencia, seria mais facil ter a mamae a disposicao a toda hora do dia, nao? Mas ela esta aprendendo a ser auto suficiente enquanto voce nao esta em casa. A baba nao te substitui, e dai vem a culpa, certo? Mas nem tudo é tao ruim, sua filhota esta aprendendo a ser ela mesma na sua ausencia.
    Eu passei por uma situaçao muito similar, mas a noite, para ensinar a Carmen a dormir sozinha. Na hora do boa noite me partia o coraçao, mas logo ela aprendeu. As situaçoes sao diferentes, mas a logica que eu vejo é a mesma. Ela vai aprender, e logo logo qualquer sofrimento se dissipa.
    O caso dela ter te recusado o colo me parece uma punicao que ela te aplicou. E funcionou, nao foi? Voce se sente culpada, ela sente sua culpa e vira o jogo contra voce. Crianças sao incrivelmente perspicazes. Nao esquenta, nada que nao possa ser resolvido com muitos beijos e abraços.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir