domingo, 5 de fevereiro de 2012
Escolinha: Os três primeiros dias da adaptação.
Como já contei aqui, quarta-feira, dia 01/02/2012, começaram as aulas da Catarina. Eu estava MUITO ansiosa por tudo, comprei o uniforme com mais de um mês de antecedência. A mochila da Moranguinho foi escolha da própria aluna que agarrou a alça e saiu correndo pela loja gritando que ia "pá icola".
Mandei fazer etiquetas personalizadas de identificação, com nome e desenhos fofos, escrevi o nome dela em todas as peças do uniforme, e não parava de contar pra Cata que ela ia pra escola. Minha ansiedade, é lógico, passou pra ela, que catava a mochila e saia correndo pela casa repetindo "vô pá icóla! vô pá icóla!".
Na segunda passada, tivemos a reunião de pais com a professora, diretora pedagógica, etc. e, resumidamente, nos foi dito o seguinte:
1. Os primeiros dias de aula tem um período menor, das 8h00 às 9h30.
2. No primeiro dia pode ir pai e mãe, tirar fotos, fazer a festa. A partir do segundo dia fica só um pai/acompanhante para a adaptação que, aos poucos, vai saindo de cena, até que a criança se sinta confortável sozinha na escola.
3. Não é permitido aos pais fazer nada que os filhos peçam dentro da escola, tipo pegar água, ou algum brinquedo, tudo termos que falar para a criança pedir diretamente à professora.
Basicamente, é isso. Depois de ter conhecido a professora, Fátima, e sua ajudante, a Jôse e de ter visto os pais dos amiguinhos, minha ansiedade triplicou. Mas, enfim, chegou o grande dia!
PRIMEIRO DIA:
Na noite que antecedeu o primeiro dia de aula, a Catarina acordou no meio da madrugada e eu acabei dormindo na cama dela. Aí, espontaneamente, acordei antes das 6h00, apesar de ter programado o despertador para 6h15. Cata ainda dormia. Tomei banho, me arrumei, tomei café e às 6h50 fui acordá-la e fiquei uns minutinhos espreguiçando com ela na cama (gente, um dos melhores momentos do dia é deitar na cama junto com minha filha nessa horinha...ai, que delícia!).
Aí foi o ritual: trocar fralda, trocar de roupa, colocar o uniforme (escolhi o vestidinho fofo, é ÓBVIO!), tomar a mamadeira, pentear os cabelos e escovar os dentes. Dei uma cronometrada, fizemos isso em menos de meia-hora, ou seja, posso acordá-la 7, 7 e 10 que tudo bem. Temos que sair de casa 7 e meia.
Júnior também acordou cedinho e se arrumou. No fim das contas, saímos super cedo de casa. Mochila a postos, fotos na garagem, rumamos ao meu escritório. Deixei o carro na garagem e fomos de carrinho até a escola.
Esse trajeto escritório/escola só será feito agora, na adaptação, pois eu tenho que ficar na escola o tempo todo, depois, quando for só deixá-la na sala e ir embora, eu vou estacionar na frente da escola rapidinho e vai ser tudo muito mais fácil. Por enquanto, são dois quarteirões do escritório até a escola e carregar Catarina mais a mochila no colo é muito chato, o carrinho foi uma opção ótima.
Chegamos na escola e o papai já estava nos aguardando lá na porta. Entramos e ainda não tinha tocado o sino...rararara. Os mais apressadinhos ficam esperando dar 8 horas, tocar o sino e abrir a porta de dentro da escola. Nesse tempinho, menos de 10 minutos, Catarina perguntou mais de 5 vezes: "Cadê a pofessôra?"
Finalmente, tocou o sino e todos que lá aguardavam foram entrando no corredor. Nossa classe (rararara..."nossa") é a segunda sala do térreo e fomos as primeiras a entrar. O que depois descobri que foi a melhor coisa a fazer, pois as crianças que chegaram mais tarde, ao verem a sala cheia de gente desconhecida, nem queriam entrar.
A classe é muito bonitinha, cheeeeia de brinquedos por todos os lados e por ali ficamos nós, façam as contas: São 13 alunos, mais seus respectivos pais e três professoras (Fátima, a titular; Jôse, a assistente e Marlene, a ajudante de sala). Pois é, estava mesmo lotada. Catarina, bastante tímida no início, foi se soltando aos poucos, mas sempre brincando sozinha. Quando todos já haviam chegado, fomos conduzidos ao parquinho.
No caminho ela já foi gritando de felicidade: "pa-qui-nhô, pa-qui-nhô!!", mas nada se compara à expressão de felicidade quando descobriu que no parquinho tinha AREIA. Coisa mais fofa o sorrizão que ela abriu, me olhou, e repetiu um monte de vezes: "Tem areia, mamãe! Na icóla tem areia!" Meus olhos encheram de lágrimas e eu tive que me segurar pra não chorar no meio daquele monte de mãe desesperada.
Ela brincou o tempo todo, não interagiu muito com as outras crianças, mas também, nessa idade, mesmo uma ao lado da outra, elas preferem brincar sozinhas mesmo. Tentamos nos afastar em alguns momentos, mas, assim que ela percebia nossa ausência, corria nos procurar ou saía gritando: "Mamãããe! Mãããe!"
Foi bem divertido e ficamos lá brincando quase uma hora, por volta das 9h00 retornamos à sala de aula, pois era hora do lanche. Aí começou um pequeno drama. Catarina não quis sentar, de jeito nenhum, na mesinha com os outros colegas pra comer o lanche. Chorou, esperneou, deitou no chão, disse que ia fugir.. Não quis comer a fruta (abacaxi), nem o pão.
Na hora que ela recusou o pão, quis me entregar, mas eu, seguindo o que me tinha sido proposto na reunião de pais e mestres, disse que ela teria que entregar o pão para a Fátima. Nessa hora a diretora estava bem do meu lado (eu nem tinha pecebido) e me deu um joinha, disse que eu estava de parabéns e que era assim mesmo. Fiquei me achando!
Depois de algumas tentativas infrutíferas de tentar fazê-la sentar à mesa, fiquei meio que na minha, esperando a professora fazer alguma coisa. Enquanto isso, ainda em pé, ela aceitou tomar o suquinho de maracujá e adorou! Tomou tudo e pediu mais pra mim. Tornei a falar pra ela pedir para a professora. E tadiiiiinha, ficou com o copo levantadinho, pedindo mais suco e NINGUÉM VIU! E eu sem poder fazer nada, porque a diretora disse que os pais não podiam se meter...Meu coração se partiu. BUAAAAA!!!
Essa hora do lanche foi bem caótica mesmo. Já tínhamos sido avisados, por causa do tumulto de pais, o lanche dos primeiros dias seria um pouco atrapalhado. Mas dizem que nos dias normais é tudo bem tranquilo. Tomara. Tomara que minha filhota não fique mais sem seu suquinho.
Aí, a professora conseguiu com que a Cata sentasse por uns dois minutos, quando colocou um danoninho no lugar dela da mesa. Esse foi o momento de tranquilidade, pelo menos pra mim.
Depois do lanche fomos liberadas pra ir embora. Catarina estava exausta, veio meio resmungando no caminho, chegou em casa e eu deixei assistir um pouco de TV. Voltei pro escritório e ela ficou com a Jú. Almoçou tudo, mas dormiu pouco. Quando voltei no fim do dia ela estava super cansada e morrendo de sono, deu um trabalhinho no banho e foi dormir bem cedo, antes das 8.
Resumo do dia: Ganhei parabéns da diretora, grandes merda, pois minha filhota ficou sem o suquinho.
SEGUNDO DIA
No dia seguinte, Catarina acordou querendo ir pra escola! Assim que a coloquei no chão ela foi correndo pra porta gritando ICOLA! ICOLA!
O segundo foi basicamente igual ao primeiro. Brincadeiras no parquinho e draminha na hora do lanche. Comecei a ficar preocupada. Meu Deus! Quantas manhãs eu terei que passar aqui? To feito uma louca no escritório pra conseguir dar conta de tudo só em meio período, tava sonhando que em dois dias a Catarina já estaria bem adaptada me dando tchau da porta da sala de aula e que eu seria liberada. Doce engano...
Na hora do parquinho, que dessa vez não foi o do tanque de areia, o que fez com que algumas crianças, inclusive a Cata, ficassem meio revolts, mas tudo se acalmou quando a Jôse trouxe massinha \o/\o/\o/, fiquei conversando com a mãe do Rafa e a do Jonas (rararara agora eu nem sei mais os nomes das pessoas, identifico-as como mãe de alguém. Que fase!) E a do Jonas ficou super aliviada quando eu disse que a Cata deu show na hora do lanche...O Jonas nem entrou na sala pra comer, ficou esperneando no corredor. Nossa, que difícil, né?
Notei que a Cata gostou bastante da Jôse, ia toda hora pedir uma bolinha de massinha e teve um momento em que me perguntou onde ela tava. Pensei, com meus botões, do jeito que a Cata é, de escolher determinadas pessoas para grudar, vai encanar na Jôse. Espero que dê certo.
Depois do parque e antes do lanche as crianças vão lavar as mãos e Catarina se recusou veementemente a ir com a Jose, tive que ir junto pra ela acalmar...
Eu até consegui fazer a Cata sentar um pouquinho, mas comigo do lado, era eu sair de perto pra ela abrir o berreiro e vir correndo pra perto de mim. E hoje não teve danoninho, foi gelatina, que ela detesta. Por outro lado, ela comeu o pão inteiro e um pedaço de banana, em pé, mas comeu.
Na saída a Fátima explicou que no dia seguinte nós deixaríamos as crianças sozinhas na hora do parque. Oremos!
TERCEIRO DIA
A rotina da manhã já meio que se estabeleceu. Acordo antes e me arrumo, acordo a Cata sete e pouquinho, troco a roupa e a Jú termina de arrumá-la enquanto eu termino as minhas coisas. Tem dado certo e temos chegado uns 5 minutos antes de bater o sino. Perfeito.
Hoje seria o dia de deixarmos as crianças sozinhas. Estava um pouco apreensiva, devido ao comportamento da Cata nos dias anteriores, mas, nem de longe, senti receio em deixá-la lá. Sim, porque depois fui ler um artigo que a escola entregou, sobre a adaptação DOS PAIS na escolinha, e tem muita mãe que fica ansiosa e com receio de deixar o filho com totais desconhecidos e acaba passando isso pra criança. Não, minha ansiedade não é essa. Tenho nenhum problema com isso, até porque prefiro mil vezes deixá-la na escola, pertinho de mim, do que aqui em casa. Fora que o Recanto é uma delícia e os professores me passaram muita segurança. Meu receio sempre foi com relação à Cata mesmo. Mais precisamente ao grude dela em mim...
Enfim, chegou o dia de sair de cena. Entramos na classe com as crianças, esperamos todos chegarem e fomos direto pro parquinho. As professoras e os alunos entraram no parquinho da areia e os pais ficaram longe, atrás da grade. Por um momento Catarina veio correndo em minha direção e me chamou pra ir brincar com ela. Levei-a até o tanque de areia, dei um baldinho e uma pá, expliquei que ficaria do lado de fora e que era pra ela brincar com as professoras. Assim que me coloquei num lugarzinho super estratégico, longe o suficiente pra ela não me ver, mas de onde eu conseguia observar todos os seus passos...Fui expulsa pela professora da outra sala!! Sim, os pais que estavam ali de butuca foram mandados pra fora, pra não atrapalhar a outra classe. Ficamos lá no chiqueirinho dos pais, sem nenhuma notícia de nossos rebentos por mais de uma hora. Jogando conversa fora e imaginando o que poderia estar ocorrendo.
Vez ou outra olhávamos na janelinha redonda de vidro da porta que dá pro corredor, mas não tinha nada, além dos filhos dos outros chorando... Até que, na minha última olhadela, vejo a Cata saindo do banheiro de mãos dadas com a mãe da Duda, bem tranquilinha, voltando pra classe. Sim, ela tinha ido lavar as mãos com uma completa desconhecida sem nem reclamar! Que orgulho da minha filhota!
Só não entendi como a mãe da Duda conseguiu driblar a barreira e ficou lá dentro com as crianças... E quanto a isso, teve um momento engraçado: Estávamos lá fora, proibidas de entrar e sem notícia nenhuma dos filhos. Aí, uma das mães olha pela janelinha e grita: Minha sogra! Que que a minha sogra tá fazendo lá dentro? Como ela conseguiu entrar e eu não? Rarararara E deu um jeito de fazer a sogra sair rapidinho de lá, pra não atrapalhar o andamento da adaptação do filho. Risos.
Logo depois disso, a Fátima nos chamou. Entrei na sala e a Cata estava ótima, andando pela sala (atrás da Jôse), brincando com umas bexigas quando, de repente, me viu...tremeu, levou um sustinho, me abraçou e abriu o berreiro! Típico, né? A ajudante de sala disse que foi emoção. Pra mim essa emoção se chama MANHA.
Mas ela estava lá, minha filhota em seu primeiro dia sozinha na escola, com a boca toda suja de manga e bolacha de maizena, a coisa mais fofa desse mundo!! Me pediu a chupeta, eu dei.
A Fátima veio conversar comigo, disse que ela chorou um pouquinho quando percebeu que eu não estava mais por ali, mas se distraiu bem rápido com umas bolinhas de sabão e ficou ótima o resto do tempo. Não quis sentar pra comer, mas que isso é normal, pelo menos comeu. A professora disse, ainda, que achava que a Cata iria dar mais trabalho, pois estava muito grudada em mim, mas que ela se distrai fácil e foi uma grata surpresa. Ufa! Que alívio. E que orgulho dessa minha filha!
Bom, hoje é domingo e Catarina já foi dormir cedinho. Amanhã deve dar uma regredida, pois no final de semana passamos todo tempo juntas (muito sol, muito calor e muita piscina!). Mas acho que essa semana a gente já conclui a adaptação e tudo se resolverá da melhor maneira.
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